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Apresentação

cleitoncapa

 

Campo aberto, no jargão de caserna, pode ser definido como o lugar onde a infantaria se locomove e se posiciona. Se, por um lado é o lugar da vulnerabilidade, por outro lado, é o lugar do combate. Sem arcabuzes ou mosquetes, no entanto, o nosso combate se dá com outro tipo de arsenal. Nossa batalha é a das ideias e nossas armas são as da crítica. Essa noção detém a pretensão – para muitos, insolente – de encampar as barricadas da dúvida e preparar-se para a refrega no campo da teoria tida, outrossim, como força material.

Na polifonia campal cujas vozes do passado soam, mais firmes e vivas, que os berros dissonantes do presente, temos que nos encontrar com uma tradição de fantasmas críticos que teimam em rondar, como espectros, as consciências conservadoras e progressistas.

Tal representação da poética crítica deixa entrever que voltar a interpretar o mundo tornou-se, assim, uma condição necessária para aqueles que realmente querem transformá-lo. Isso parece ocorrer, desde que, famigerado, Guy Debord assuntou sobre a querela, e deixou claro que: a teoria revolucionária teria que combater a ideologia revolucionária. Sintoma de época, detectado, que entravou, pelo esgotamento, a roda dinâmica da modernidade e, desde então, o colapso iminente e o novo ficaram suspensos como um grito parado no ar.

No campo aberto, dessa forma, os fantasmas tendem a reaparecer tal como Hamlet clamando por justiça. O conteúdo emancipatório desse clamor parece esbarrar nos limites de um tempo suspenso entre uma constante mudança que mantém tudo estático: um eterno presente. Centenas de farsas transformadas em milhares de tragédias, ou, como diz no teatro: troca. Nada resta a perder e, no entanto, esse nada é mais potente do que tudo. O costume aos grilhões. Os gritos no campo são estéreis frente a dominação que impede o desbloqueio do novo. Um aborto da formação perene em que o fluxo histórico é dominado pela circularidade constante e o eterno retorno nietzschiano se apresenta como brincadeira de mal gosto.

O fetichismo desenhou os destinos, e a tragédia farsesca, sem herói, leva a catarse purificadora e conformadora. Resta-nos como combatentes, o papel do idiota. La scène: a quebra do decoro ao dizer que o rei está nu. A obviedade deve ser, entretanto, só o início da experiência crítica de incapacidade de nos determos no universal. Devemos começar onde a aparência do impenetrável, da opacidade, faz o pensamento dominante abandonar o objeto com a arrogância dos doutos. A verdade se encontra no escândalo e não no esperado. É do que dispomos; a crítica que nos guia para uma práxis-teórica. Essa é a poética crítica daqueles que estão e virão para o Campo Aberto.

D. Barros