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NINGUÉM NASCE NEGRO

agosto 1, 2018 - Uncategorized
NINGUÉM NASCE NEGRO

Anuviados os termos, anuvia-se sua fundamentação histórica. Num momento de pura emergência como o nosso, esquece-se com isso da raiz concernente ao próprio termo historicamente fundamentado.

Por isso, não são poucas as forças reacionárias atuais que tentam fazer esquecer a fundamentação do termo Negro e seu significado sócio-histórico criado a partir do que Mbembe, não sem razão, alcunhou de loucura codificada, isto é, a redução do indivíduo ao corpo… “a uma questão de aparência, de pele ou de cor, outorgando à pele e à cor o estatuto de ficção de cariz biológico”, sempre para negá-lo, para fantasmagorizá-lo e para, finalmente, objetificá-lo.

Esse esquecimento, não duvidemos, é um esquecimento político, celebrado hoje pelo cinema conservador hollywoodiano e por posições trajadas de progressistas que ocultam, nada mais nada menos, a manutenção das relações de competição no interior do status quo.

É, portanto, uma posição política que ganha força material servindo à conservação das próprias forças sistêmicas que fundaram o termo Negro, ao controle de corpos e à sustentação de um biopoder que define pela diferenciação identificada – cor, origem, gênero e religião – quem pode morrer e quem pode viver.

Contra esse esquecimento, a Revista Campo Aberto lança a presente chamada com intuito de debater a fundamentação do Negro.

Partindo do pressuposto básico que, como seres sociais, nos tornamos o que somos, convidamos para participarem do próximo número aqueles que compreendem que o termo Negro tem lugar fundamental na racionalidade sistêmica capitalista – cuja operacionalização é a identificação dos corpos para domínio e reprodução da violência necessária de sua economia.
Afinal de contas, a invenção do negro – naturalizada hoje nos locais mais insuspeitos – foi o fantasma sempre necessário para as práticas políticas coloniais, especialmente quando se tratou – e se trata – de desumanizar e dominar.

O domínio colonial suprimiu de si o mundo do colonizado e, com isso, elidiu também sua identidade. Com a diferenciação identificada fornecida pela dominação do branco, o mundo estruturado do negro entrou em colapso.

O que resulta na reversão da posição objetificada, pois, o próprio indivíduo negro arrancado de sua certeza ao resistir a essa objetificação racista é, no fundo de seu âmago, marcado por ela. A questão terrificante é que, quando o indivíduo se descobre por fim negro, já pesa em suas costas a melanina e com ela todas as referências que o mundo dominante branco lhe traz, quer dizer: preconceitos, taras raciais, fetichismo…

O indivíduo agora tornado negro precisa destruir essa limitação. Limitação que só pode ser destruída, como demonstrou Fanon, não com o acomodamento do negro no interior do sistema senão com a própria supressão violenta desse sistema.

DATA LIMITE PARA ENVIO DE ARTIGOS. 30.09.2018
para: [email protected]

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